História da AARJ

A HISTÓRIA INICIAL DA AARJ

Em uma manhã de sol um sabiá cantou. Ele gostou da sua canção e desejou mostrá-la a seu filhote contando-lhe sobre àquela manhã maravilhosa. Mais tarde, ao voltar para o ninho, sentiu que havia algo a dizer, mas se calou, porque não se lembrou sobre aquela manhã e assim, a sua canção ficou perdida para sempre.

Os homens, ao compartilharem acontecimentos, emoções, reflexões e suas histórias de vida, realizam algo que talvez só eles possam fazer em toda a natureza. O universo então reverencia tamanha coragem.

Compartilhar lembranças é essencial ao Homem. A memória é a pedra fundamental para a realização dos nossos sonhos. Lembrar dos passos dados é reconhecer que algo foi realizado.

Quando compartilhamos acontecimentos vividos, construímos a nossa história, criamos a nossa identidade, andamos juntos pelo mesmo caminho.

Se o Homem assim o faz, não está só a registrar o passado para que este não se perca nas brumas do esquecimento, mas também está a construir o seu mundo, a se criar como ser humano, como ser reflexivo.

Se não existisse a lembrança e as histórias dormissem o sono eterno e paralisante no colo sedutor do esquecimento, se a memória fosse apenas uma faísca que saltasse do fogaréu do tempo e rapidamente se apagasse pela exposição ao frio da noite escura da alma, nossas vidas estariam começando a cada instante. Assim, quando o amanhã chegasse e nele colocássemos os pés, não mais enxergaríamos as pegadas do dia anterior e o passado teria desaparecido. Apagando-se o passado, talvez o próprio presente deixasse de existir restando-nos apenas a seguinte pergunta: será que realmente estamos aqui?

Se o nosso destino fosse esse, certamente viveríamos sempre em um eterno começo, nunca tendo o sabor das recordações do encontro com a pessoa amada, do ato de coragem, do medo que nos aflige, das alegrias da juventude, da tristeza da despedida, do desafio motivador, da conquista fortalecedora, do obstáculo superado e não aprenderíamos com os erros cometidos nem com a fidelidade dos amigos. Seríamos como a flor, que desabrochando e chegando ao seu apogeu colorido, não teria como compartilhar a sua fragrância, como iniciar outras flores nos mistérios das delicadezas e dos perfumes do jardim, pois em suas pétalas não haveria lembrança alguma, não haveria em seu coração histórias pra contar.

Como Tudo Começou

O desejo de fundar uma associação de Arteterapia estava presente desde 1992 nas mentes de alguns arteterapeutas do Rio de Janeiro. Contudo, esses arteterapeutas trabalhavam também como professores e facilitadores de workshops, organizavam palestras, congressos e simpósios e nem sempre os afazeres do dia a dia e o trabalho permitem um tempo hábil para se realizar aquilo que se deseja no momento que se pretende.

Esses arteterapeutas sabiam da responsabilidade deste empreendimento e sem dúvida, que deveriam dispor de uma quantidade considerável de energia para realizá-lo. Assim a cautela e a paciência prevaleceram e a Associação de Arteterapia do Rio de Janeiro tem a sua fundação datada em sete de setembro de 1998.

A idéia de se fundar uma associação surgiu quando estes arteterapeutas souberam, lá pelo ano de 1991, sobre pessoas que, ao terem feito breves cursos de introdução à Arteterapia estavam a se intitular arteterapeutas. Evidentemente que um curso de introdução não poderia preparar um profissional, certamente este deveria se submeter a um estudo mais profundo e a uma prática consistente.

Havia também aqueles que se chamavam arteterapeutas por entenderem que, para assim serem reconhecidos, bastava utilizar em seu trabalho terapêutico argila, tinta guache e giz de cera.

Uma difusão de informações equivocadas sobre a Arteterapia estava acontecendo como, por exemplo, a idéia de que a Arteterapia seria uma técnica diagnóstica, desviando assim os objetivos terapêuticos da mesma.

Os arteterapeutas, que seriam mais tarde os membros fundadores da AARJ, regidos pela larga experiência dentro da área em questão, entendiam que o profissional de Arteterapia precisava passar por uma formação assentada no estudo, na pesquisa e na prática supervisionada (estágio).

Este percurso de formação, portanto, requereria algum tempo e dedicação por parte daquele que desejasse trabalhar com Arteterapia. Um curso introdutório de poucas horas certamente não se mostrava suficiente para este objetivo.

Nas palestras e congressos de Arteterapia refletíamos sobre a necessidade de todos sermos mais rigorosos com a formação do arteterapeuta. Mas essa providência não se mostrava suficiente para mudar a situação.

Então esses arteterapeutas chegaram à conclusão de que precisavam organizar uma comunidade que pudesse compartilhar os mesmos esforços, práticas, saberes e ética. Surgia assim, a idéia de se fundar a Associação de Arteterapia do Rio de Janeiro – AARJ.

Para inaugurar a AARJ os membros fundadores enfrentaram dificuldades naturais encontradas em um empreendimento como este, ou seja, providenciar documentos, consultar advogados, recorrer ao cartório de registro civil etc. Contudo, a dificuldade maior estava em organizar um estatuto com características específicas porque naquele tempo não havia no Brasil nenhuma associação de Arteterapia e os membros fundadores não tinham a quem recorrer para aconselhamento sobre este assunto.

A AARJ seria, portanto, a primeira associação de Areteterapia do Brasil.

Conforme o desejo dos seus membros fundadores, os objetivos da AARJ gravitariam em torno do estudo, da pesquisa, da produção do saber e de uma ética arteterapêutica com raízes nos Direitos Humanos.

Também seria seu objetivo a criação de uma comunidade de arteterapeutas, com a convivência democrática dos seus associados assentada na solidariedade, na cooperação e no respeito.

Tínhamos consciência de que estávamos criando uma comunidade com características que proporcionariam o relacionamento dos arteterapeutas assim como um espaço de desenvolvimento cultural e do saber.

Com eleições para diretoria e assembléias ordinárias onde novas idéias pudessem ser propostas e votadas, a AARJ sempre manteve o compromisso com um modelo de funcionamento democrático.

Ao se decidir sobre que nome adotar para a associação, pretendeu-se respeitar o princípio da representatividade. Uma vez que os seus fundadores trabalhavam e residiam no Rio de Janeiro, ao escolherem um nome para a associação optaram pela referência a esta cidade.

Embora pudessem ter escolhido para a associação o nome de “Associação Brasileira”, já que não havia em território nacional nenhuma associação no Registro civil com esta denominação, entenderam os membros fundadores que este procedimento seria um desrespeito aos arteterapeutas de outros estados, pois a AARJ não representava os interesses de todo o território nacional. Os outros estados deveriam fundar as suas associações, se assim desejassem, com as suas devidas representatividades.

Acreditaram os fundadores da AARJ que esta seria a atitude mais sensata de acordo com o espírito democrático no qual a associação estava sendo organizada.

Os membros fundadores

Para desbravar caminhos precisamos apenas de pessoas de boa vontade que acreditem que as coisas possam ser feitas.

Ângela Philippini

Antônio Carlos G. M. Guimarães

Antônio Luiz Medina

Arimar Fabiano Ferreira

Bernado M. Pimentel

Carmem Borges

Célia Gago

Claudia Caterine Brasil

Eveline Carrano

Geraldo Artte

Lígia Diniz

Márcia Victória

Martha Magalhães da Silveira

Rodolfo Berg

Vânia Osório 

Rodolfo Berg: arteterapeuta, ex-presidente e membro fundador.